A acusação de que a sociologia é uma “pseudociência” geralmente vem da sua falta de capacidade de produzir conhecimento objetivo e verificável, como ocorre nas ciências naturais (física, química, etc.).
A sociologia, como ciência social, lida com fenômenos humanos complexos — como cultura, poder e relações sociais — que são difíceis de medir com precisão ou prever com leis universais. Seus métodos, como estudos qualitativos ou estatísticas interpretativas, muitas vezes não atendem aos critérios de falseabilidade de Karl Popper, um marco para distinguir ciência de pseudociência.
Assim, a sociologia carece de rigor empírico suficiente, dependendo excessivamente de teorias interpretativas ou ideológicas.
Como o Marxismo entra nesse escopo
O marxismo entra nessa discussão porque ele influenciou fortemente a sociologia, especialmente em correntes como a teoria crítica e os estudos de classe.
Marx propôs uma visão determinista e dogmática da história, com o que foi chamado de “materialismo histórico“, em que as contradições econômicas (como a luta de classes) levariam inevitavelmente ao colapso do capitalismo e à ascensão do socialismo.
Essa abordagem teleológica — que presume um destino histórico previsível — é vista como problemática porque muitas de suas previsões, como a revolução proletária global ou sucesso inevitável do comunismo, não se concretizaram. A China comunista se tornou capitalista, o Muro de Berlim caiu e a URSS colapsou.
Críticos, como Karl Popper em “A Miséria do Historicismo”, argumentam que esse determinismo é pseudocientífico, pois não permite testes empíricos claros e se adapta retrospectivamente aos fatos, em vez de prevê-los com precisão.
Vamos recapitular…
Relação entre a sociologia e o marxismo
Eu sempre achei que a sociologia tem um problema sério: ela se vende como ciência, mas, na real, não entrega o que promete. E o marxismo, que está misturado nisso, só piora a situação com seu jeito dogmático, suas previsões deterministas e um histórico de falhas que não dá pra ignorar.
A Sociologia como Pseudociência
A designação da sociologia como pseudociência decorre de sua incapacidade de aderir aos padrões rigorosos do método científico, conforme delineados por Karl Popper e outros filósofos da ciência. Três aspectos principais sustentam essa crítica:
- Ausência de Falsificabilidade:
Popper estabeleceu que uma teoria científica deve ser falsificável, ou seja, capaz de gerar previsões testáveis que possam ser refutadas empiricamente. A sociologia, contudo, frequentemente opera com conceitos vagos e imprecisos, como “opressão sistêmica” ou “capital cultural”, que resistem a testes objetivos. Por exemplo, um estudo hipotético sobre a relação entre a estética das fachadas residenciais e a riqueza da população enfrentaria dificuldades intransponíveis: a definição de “beleza” é subjetiva, e variáveis externas, como intervenções estatais para melhorar a imagem pública, não são facilmente controladas. Quando confrontadas com contraevidências, tais teorias são ajustadas por meio de explicações ad hoc (e.g., “exceções culturais”), violando o princípio da falsificabilidade. - Subjetividade e Falta de Neutralidade:
A sociologia frequentemente reflete vieses ideológicos em vez de buscar uma análise desinteressada da realidade. Muitas de suas correntes, influenciadas por agendas políticas, partem de premissas normativas — como a suposição de que desigualdades derivam exclusivamente de estruturas de poder — e interpretam dados para corroborá-las. Um exemplo recorrente é a tendência de associar pobreza à violência sem isolar variáveis alternativas, como fatores culturais ou escolhas individuais, confundindo correlação com causalidade. Essa abordagem compromete a objetividade, um pilar essencial da ciência, e sugere que a sociologia serve mais como ferramenta de advocacy do que como investigação imparcial. - Incapacidade de Reprodutibilidade e Consenso:
Diferentemente das ciências naturais, onde experimentos podem ser replicados em condições controladas (e.g., medição da aceleração gravitacional), os fenômenos sociais são contextuais e irrepetíveis. Estudos sobre comportamento social em um dado momento histórico não podem ser reproduzidos com precisão em outro, devido à multiplicidade de variáveis envolvidas. Ademais, a coexistência de paradigmas rivais (e.g., marxismo, funcionalismo, pós-modernismo) sem resolução empírica evidencia a ausência de um corpo unificado de conhecimento, contrastando com o progresso cumulativo observado nas ciências exatas. Essa fragmentação reforça a percepção de que a sociologia é mais especulativa do que científica.
Embora a sociologia possa oferecer insights valiosos sobre a condição humana, sua falta de rigor metodológico a distancia dos critérios que definem uma ciência legítima, aproximando-a de disciplinas interpretativas como a filosofia ou a crítica cultural.
O Marxismo como Dogmático, Determinista e Falho
O marxismo, uma influência significativa na sociologia, é igualmente problemático sob uma análise epistemológica e histórica. Suas características de dogmatismo, determinismo e falhas empíricas são evidentes nos seguintes pontos:
- Dogmatismo:
O marxismo exibe traços dogmáticos ao tratar seus princípios centrais — como a luta de classes e o materialismo histórico — como verdades inquestionáveis. Quando confrontado com evidências contrárias às suas previsões, como a persistência do capitalismo ou o colapso de regimes socialistas, seus proponentes frequentemente recorrem a justificativas retrospectivas (e.g., “hegemonia cultural” ou “desvios da teoria original”) em vez de revisar os fundamentos da doutrina. Essa resistência à falsificação, conforme criticada por Popper em A Miséria do Historicismo, é incompatível com o método científico, que exige abertura à refutação e adaptação à luz de novos dados. Tal postura assemelha o marxismo a um sistema de crenças ideológicas, mais próximo de uma religião secular do que de uma ciência. - Determinismo:
A visão marxista da história é marcadamente determinista, postulando que o desenvolvimento das sociedades segue um trajeto inevitável, guiado por “leis históricas”. No Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmam que “a queda da burguesia e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis”, enquanto em O Capital predizem que as contradições internas do capitalismo levarão à sua autodestruição. Essa teleologia presume um destino histórico fixo, ignorando a imprevisibilidade da ação humana e fatores contingentes como cultura, tecnologia e política. A Escola Austríaca de economia, representada por Ludwig von Mises e Friedrich Hayek, rejeita esse determinismo, argumentando que os fenômenos sociais emergem de escolhas individuais e processos espontâneos, não de estruturas predeterminadas. - Falhas Empíricas:
As previsões marxistas não se concretizaram, e sua aplicação prática revelou limitações severas. A revolução proletária global não ocorreu, o capitalismo se adaptou e prosperou, e regimes baseados no marxismo, como a União Soviética, a China maoísta e a Venezuela, enfrentaram colapsos econômicos ou abandonaram o socialismo puro em favor de elementos capitalistas. Dados históricos, como a redução da pobreza extrema de aproximadamente 90% em 1800 para menos de 10% atualmente (conforme estimativas do Our World in Data), contradizem a narrativa de que o capitalismo é intrinsecamente autodestrutivo. Em vez de prosperidade socialista, os experimentos marxistas resultaram frequentemente em autoritarismo e crises, evidenciando a desconexão entre a teoria e a realidade. A insistência em atribuir esses fracassos a “má aplicação” apenas reforça o dogmatismo, em vez de reconhecer as falhas inerentes ao modelo.
Conclusão
A sociologia é classificada como pseudociência devido à sua incapacidade de atender aos critérios de falsificabilidade, reprodutibilidade e neutralidade, operando frequentemente com interpretações subjetivas e narrativas ideológicas em vez de leis verificáveis.
O marxismo, por sua vez, é dogmático ao resistir à refutação, determinista ao prever um curso histórico inevitável, e falho por não corresponder às evidências empíricas e históricas. Embora ambos possam oferecer reflexões úteis sobre a sociedade, carecem do rigor epistemológico necessário para serem considerados ciência no sentido estrito. Em contraste, disciplinas baseadas em testes objetivos e adaptação contínua às evidências permanecem o padrão-ouro do conhecimento científico.